La mano de Jô

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Foto de Danilo Cruvinel Danilo Cruvinel3 ANOS, 10 MESES ATRÁS
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Confesso que fiquei alguns minutos pensando em um bom título para esse artigo, mas depois que eu vi o meme acima, não tinha como eu escolher outro título que não fosse “La mano de Jô”. Vamos cortar a enrolação e ir direto ao ponto: O Corinthians venceu o Vasco por 1 a 0 com um gol de mão (foi de braço, mas é irregular do mesmo jeito) do atacante Jô.

Sejamos sinceros. O gol ter sido irregular, Jô esticar o braço propositalmente para marcar o gol e o árbitro assinalar o gol como legítimo não foram as piores partes do lance. Calma. Respirem. Não me xinguem (nem a minha mãe). Vou explicar. Às vezes gols irregulares acontecem e os árbitros se equivocam e confirmam esses gols. Os jogadores tentarem fazer o gol a qualquer custo (esticando o braço, se jogando na bola, dando carrinho, etc) também é comum.

Dito isso, vamos por partes. O gol do Corinthians foi irregular? Sim e muito. O árbitro e o assistente que fica na linha de fundo deveriam ser punidos? Sim e muito. Existem sete membros da equipe de arbitragem espalhados pelo campo e pelo menos um deles deveria ter visto que o Jô fez o gol com o braço. Tudo isso seria facilmente resolvido se o futebol deixasse de ser um esporte arcaico e utilizasse o recurso de vídeo para analisar lances duvidosos como esse. O basquete, futebol americano, tênis, vôlei e outros esportes usam esse recurso há anos. Era só olhar no replay, ver que o gol foi irregular, anular o lance e mandar o jogo seguir.



Jô comemora o gol (irregular) contra o Vasco. O Corinthians voltou a vencer no Brasileirão e abriu dez pontos para o Grêmio, o segundo colocado do campeonato. (Marcos Ribolli)


Mas, como disse anteriormente, para mim, a pior parte desse lance todo não foi o gol ter sido confirmado. O pior de tudo foi a fala de Jô após o fim da partida: “Eu me joguei na bola, não deu para ver. Não sei se a bola ia entrar, eu me joguei, agora não sei onde bateu. (...) Se eu tivesse convicção (do toque de braço), eu ia falar. Eu me joguei, tanto que fui parar dentro gol. Então não tinha como falar. Eu me joguei, aí o árbitro vai interpretar se foi mão ou não... Ele deu o gol, então não foi”. 

Já dizia meu avô “boca fechada não entra mosquito”. O atacante do Corinthians perdeu uma belíssima oportunidade de ficar calado. Primeiro. Não importa se a bola iria entrar ou não, o Jô colocou o braço na bola antes dela entrar, invalidando o lance. Segundo. Quando um jogador se joga ele perde o tato? Eu até poderia acreditar que ele fechou os olhos quando se jogou na bola, mas ele não sentiu a bola bater no próprio braço? Aí eu já começo a desconfiar. Calma que piora. Jô ainda disse para Ramon (lateral do Vasco) que a bola havia batido em seu peito? No peito????? Agora, complicou.



O atacante Jô disse que não sabe se a bola tocou em seu braço, porque se jogou na bola. Quando um jogador se joga na bola ele perde o tato? (reprodução/Premiere)


Para piorar a situação, na entrevista coletiva pós-jogo, o treinador do Corinthians, Fábio Carille, ainda foi tentar defender o atacante. “Existe (honestidade no esporte) e, para a melhoria do futebol, isso tem que existir cada vez mais. Tem muita gente em dúvida. Vi gente balançando a cabeça dizendo que a bola já estava dentro... Vi gente achando que a bola não tinha entrado... Olha a dúvida que existe no lance! Como o Jô poderia saber se a bola estava dentro? Tem lances e tem lances... Daqui do banco, naquele pênalti contra o Botafogo do Arana fora da área, se tivesse visto, eu teria falado. São lances difíceis”.

Hora do ctrl C e ctrl V

Primeiro. Não importa se a bola iria entrar ou não, o Jô colocou o braço na bola antes dela entrar, invalidando o lance. Segundo. Quando um jogador se joga ele perde o tato? Eu até poderia acreditar que ele fechou os olhos quando se jogou na bola, mas ele não sentiu a bola bater no próprio braço?

Jô deveria ter tido o fair play e comunicado o árbitro que a bola bateu no seu braço? Provavelmente. O fair play deveria ser praticado sempre. E é justamente nessa parte que a polêmica do lance aumenta ainda mais, pois em março, durante o Campeonato Paulista, o mesmo Jô se envolveu em um lance em que o fair play foi usado.

No jogo de ida da seminfinal contra o São Paulo, no Morumbi, o árbitro Luiz Flávio de Oliveira marcou uma falta do atacante do Corinthians sobre o goleiro do São Paulo, Renan Ribeiro, e deu a ele um cartão amarelo, que o suspenderia do jogo de volta. Mas o zagueiro tricolor Rodrigo Caio se acusou de ter pisado ele mesmo no companheiro de time, o que fez a marcação ser anulada logo em seguida.

Na época, o fair play do zagueiro provocou uma discussão feia com Rogério Ceni e várias reclamações da torcida. Tite convocou o jogador e ainda o elogiou publicamente.

Antes disso, em fevereiro, Jô já tinha criticado jogadores do Palmeiras por não alertarem o árbitro Thiago Duarte Peixoto de um erro na vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Palmeiras, em Itaquera, pela primeira fase do Paulistão. Naquela ocasião, o juiz expulsou o corintiano Gabriel por uma falta cometida por Maycon.



Fair play? Onde? (Marcos Ribolli)


Ou seja, fair play só quando lhe convém.

Com a vitória sobre o Vasco, o Corinthians chegou aos 53 pontos e voltou a abrir dez pontos para o Grêmio, o segundo colocado do Brasileirão (que perdeu com seus reservas para a Chapecoense).

Comentários

NOVOS COMENTÁRIOS
Marcelo De Araujo Cruvinel

Marcelo De Araujo Cruvinel

Bela análise.

Carlos Dias

Carlos Dias

O recurso de video será implementado na próxima rodada, só que...houve pelo menos um penalti a favor do Corinthians não dado. Na verdade deveriam ter implementado bem antes, já que o Corinthians perdeu 4 pontos por falta desse recurso, ...se fosse anulado esse gol mas desses os gols legitimos contra o Coritiba e o gol do flamengo em impedimento escandaloso contra o Corinthians. No minimo teriamos + 2 pontos que temos hoje!

Marco Mascarenhas

Marco Mascarenhas

O recurso de vídeo tende a ajudar os clubes menores que normalmente são mais prejudicados.

João Bosquo Cartola

João Bosquo Cartola

Acredito que tirando a paixão pode-se fazer uma boa análise. Que não é o presente caso. Quando diz que Jô estica o braço propositalmente, não foi. Um ex-jogador, agora comentarista, em uma dessas inúmeras mesas redondas, mesmo contrariando a maioria, disse que o movimento foi natural e citou os corredores em linha de chegada. Depois escreve "O árbitro e o assistente que fica na linha de fundo deveriam ser punidos? Sim e muito". Por que, cara-pálida? A foto que ilustra a matéria mostra que no momento que a bola bate na maga da camisa do jogador - repara - a trave atrapalha a visão. Os únicos que tinham uma visão perfeita do lance era os jogadores do Vasco, principalmente o goleiro, tanto que reclamou no ato. Essa história de fair-play, vamos combinar, é muito da boca pra fora. Os ingleses inventaram o futebol e nós introduzimos a malandragem. Acho que não precisamos citar exemplos.

Andrelazarofelippe Lázaro

Andrelazarofelippe Lázaro

Não foi erro do jo .

Paulo Eduardo

Paulo Eduardo

Super Corinthians gol de mão e timão chupa. Bambi e timão Cristian 2009 mostra o dedo e timão não vem com ipocresia internauta isso é liberdade de expressão. Sou timao

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